Alongamento – Mitos e Verdades

Alongamento – Mitos e Verdades

Publicado por: Mauricio Garcia Publicado: 07/05/2019 Visitas: 48 Comentários: 0

Alongamento, ah! Como é difícil falar de alongamento, até porque é mais conveniente criticar o que ouvimos ou lemos do que realmente compartilharmos as idéias não só da experiência própria de cada um, como também o que as pesquisas baseadas em evidências, nos trazem sobre as verdades e os mitos.

Muitos estudos foram realizados ao longo destes anos e quase na sua grande maioria de baixa qualidade, o que traz um grande conflito para os profissionais de saúde e preparadores físicos. De 2006 até os dias atuais, houve muita exigência acadêmica através dos órgãos de pesquisa (CNPQ, FAPESP etc) na preocupação de que os trabalhos científicos seguissem os padrões internacionais das revistas indexadas pela National Library of Medicine.

A realização do alongamento é uma prática comum entre os corredores iniciantes e também os mais experientes, e a questão sobre realizá-los antes ou depois é um assunto polêmico e ainda indefinido, pois até o trabalho mais recente da Universidade de George Washington mostrou que alongar previamente à corrida, não torna o exercício mais fácil, não faz o esportista correr melhor, não provou qualquer benefício, e muito menos atua na prevenção de lesões, onde o fator mais significante no aparecimento das afecções ortopédicas está relacionado com histórico de problemas recentes ou lesões crônicas além do alto índice de massa corporal. Os próprios autores consideram ainda o tema controverso e direciona ainda para o consenso de um aquecimento prévio com alongamentos suaves e realização de uma boa série de alongamentos após a corrida.

Em setembro de 2008, a Universidade de Nevada publicou no Journal of Strength and Conditioning Reserarch, um estudo onde revelava que a realização dos alongamentos estáticos causa perda de força nos membros inferiores. Um dos autores sugere a realização dos alongamentos estáticos apenas depois da corrida, e polemiza ao alertar que não se deve confundir com a questão da flexibilidade, e finaliza indicando que antes da corrida, deve-se realizar um trote leve como aquecimento.

Não se sustenta a crença de que os alongamentos estáticos antes da corrida tragam algum benefício, até porque há uma incoerência em alongar uma estrutura que vai se submeter a rápidas contrações com intensidade e/ou por um tempo prolongado. Já imaginando que um aquecimento adequado desperta o músculo para a prática da corrida através de estímulos ao sistema neuromuscular, aumento do fluxo sanguíneo, melhora a viscosidade dos tecidos além de outras manifestações fisiológicas, destaca-se o aquecimento como uma prática mais saudável do que o alongamento prévio.

Apenas para aquecer a discussão, os mesmos estudos realizados desde 2006, mostram outra prática incorreta de alguns corredores, que é a realização dos alongamentos estáticos imediatamente após a corrida, onde a recomendação é aguardar que o corpo “esfrie” um pouco e só depois realizar os alongamentos, pois as fibras musculares que estão aquecidas no final do treino ou da prova, poderão ser submetidas a forças exageradas até com o risco de lesões musculares até mesmo ruptura de algumas fibras.

O alongamento é uma prática popular como uma forma de recompensar os esforços dos músculos, e o fato da recomendação de não realizar antes da corrida agradou aqueles que não gostavam de alongar, mas não convenceu os pesquisadores que defendem a melhor forma de desenvolver as aptidões musculares.

A Organização Governamental Norte-Americana para a corrida realizou um dos maiores estudos sobre alongamento envolvendo 1400 pessoas de 13 a 60 anos e a conclusão da pesquisa, compartilho com vocês onde a os autores afirmam que nem previne nem induz a lesões, onde o resultado foi estatisticamente igual na incidência de lesões de quem alongou ou não antes da corrida.

 

SOBRE DR. MAURÍCIO GARCIA                      

Fisioterapeuta
Crefito 3/8090 - F  

    

  • Mestre Profissional em Ciências Aplicadas ao Aparelho Locomotor, pelo Departamento de Ortopedia da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – EPM
  • Especialista no “Aparelho Locomotor do Esporte” pela UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – EPM
  • Qualificado pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, como especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica Funcional
  • Fisioterapeuta e Gestor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte.
  • Fisioterapeuta Membro do C.E.T.E. – Centro de Traumatologia do Esporte – EPM – UNIFESP
  • Sócio Fundador da SONAFE – Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva
  • Delegado do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO 3

Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/9656277144816118

Comentários

Escreva o comentário