Correr descalço

Correr descalço

Publicado por: Mauricio Garcia Publicado: 21/06/2019 Visitas: 110 Comentários: 0

Na prática da corrida de rua, há um certo modismo quanto ao temas a serem discutidos não só nos meios de comunicação mas também dentro dos grupos de corredores, e infelizmente são discussões infundadas muitas vezes levando a resultados que não refletem a realidade de trazer algum benefício a população. Um grande exemplo disto é saber que no Brasil a maior parte dos tênis vendidos são para supinadores, sendo que a maioria dos corredores brasileiros são neutro pronadores, já pensou nisto? Quer ver outra questão. Numa determinada loja de tênis, há um estoque de 80% de tênis supinadores, e quando um leigo vai nesta loja e faz o teste da pisada, que muitas vezes é feito por pessoas não capacitadas, sabe qual o resultado? Claro, supinador, pois o estoque está cheio de tênis supinadores. É apenas para refletir e desenvolver na cabeça do consumidor, o senso crítico do que é modismo e do que é tecnologia em prol da melhora de performance e prevenção de lesões.

Esta questão dos calçados, o que era para ajudar o corredor, mais atrapalha e o deixa vulnerável às lesões. Em janeiro deste ano, foi publicado na revista americana Nature, um estudo sobre padrões de pisada e forças de colisão em corredores que praticavam descalços versus com tênis. O autor Daniel Lieberman, que também é corredor, junto com três colegas, resumidamente concluíram que quando se corre de tênis, há um primeiro contato no chão com o calcanhar gerando um impacto de força que reproduzido ao longo dos quilômetros semanais de treino, podem trazer alguma sobrecarga ao aparelho locomotor, o que é inversamente encontrado quando se corre descalço, pois o primeiro contato é feito com a planta do pé, o que os propostos shape-ups preconizam e o reflexo na musculatura nestes casos, são 3 vezes menor.

Partindo do princípio que os tênis “baixinhos”, usados inicialmente para provas ou treinos de pista procuram se assemelhar com o uso dos pés descalços, concluímos que os pés tendem a controlar melhor o movimento de transição de cada passada para minimizar o impacto, e isto é feito por toda musculatura desde as intrínsecas dos pés e ascendendo para panturrilhas,coxa e glúteos.

Não podemos afirmar que esta repercussão na musculatura, pode ser interpretada como fortalecimento das mesmas, pois se fossemos pensar assim, podemos também entender que longas distâncias podem sobrecarregar estas musculaturas e causar lesões por sobrecarga.

 

SOBRE DR. MAURÍCIO GARCIA                      

Fisioterapeuta
Crefito 3/8090 - F  

    

  • Mestre Profissional em Ciências Aplicadas ao Aparelho Locomotor, pelo Departamento de Ortopedia da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – EPM
  • Especialista no “Aparelho Locomotor do Esporte” pela UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – EPM
  • Qualificado pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, como especialista em Fisioterapia Traumato-Ortopédica Funcional
  • Fisioterapeuta e Gestor do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte.
  • Fisioterapeuta Membro do C.E.T.E. – Centro de Traumatologia do Esporte – EPM – UNIFESP
  • Sócio Fundador da SONAFE – Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva
  • Delegado do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITO 3

Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/9656277144816118

 

Comentários

Escreva o comentário